Artigo sobre eleições publicado na Universidade de Fresno, na Califórnia.
O artigo que saiu no "Diário Insular" com o título "O que pode mudar nas eleições de 4 de Fevereiro" foi publicado nos EUA numa boletim informativo da Universidade de Fesno, coordenado por Diniz Borges, com informação sobre os Açores, destinada a pessoas de segundas e terceiras gerações, que já não falam português mas gostam de acompanhar o que se passa na terra de seus pais e avós.
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Elections in the Azores: What could change on February 4, 2024

The graph above shows the results of the elections in 2020. As you may recall, there wasn’t much of a door-to-dorr campaign because of the pandemic
At a time when regional elections are being held, it makes sense to review the last election’s results, at least to refresh our memories. The circumstances that marked the holding of this election are, in many ways, strange and may have influenced the results.
Perhaps the most certain element is that abstention, which had already fallen in 2020, may even lower given the more intense and exciting debate expected in the face of the doubts that have arisen. Rarely has an election attracted so much attention in the Azores. Much more than expected. From the circumstances that brought down the government to how the elections were scheduled and the issues that have been discussed in the corridors of power to the broader public debate. Circumstances that, in the opinion of many, will make the political picture different. Most people want a more stable government to emerge, one that is not at the mercy of quasi-personal discretion.
What the last elections show us
Looking at the graph of the 2020 results, you can see that the PS won the elections, but because of what happened nationwide, the PSD found partners to ensure the formation of a government. With a minimal difference. At the time, it was said that this was an unsound solution and, above all, one that made no ideological sense.
That solution ended up lasting longer than many predicted. Bolieiro’s government managed to survive and gain a good image in many sectors, mainly because of its attitude towards people.

The graph above shows the number of seats in the Azorean Parliament from the prior elections in 2020
Doubts over the fall of the government
Without an obvious explanation, the parties stopped supporting the government, rejecting the 2024 plan with the message that they would not approve any other documents. An unclear position since it had nothing to do with the content of the proposals (which was what was actually at stake). Based on this information, in consultation with the Council of State, the President of the Republic decided to dissolve parliament and call elections, leaving many questions unanswered.
Naturally, this decision will be part of the debate and perhaps influence the electorate’s opinion. The same can be said about who was responsible for provoking these elections. Many have already said this, and Álvaro Dâmaso recalled it in a text published in Diário Insular: “The parties that bring down a government lose the following elections, so the experience goes, at least ours.”
What’s new
Contrary to what happens at a national level, where several polls have been published, there are no opinion polls in the Azores, at least not known ones. Of course, national polls have no validity in the regional context. Even on several occasions, the results in the Azores differed from the elections in the country as a whole, even when the dates were near each other.
What is new in the Azores that could influence the results? The PSD; CDS/PP, and PPM are now presenting themselves in a coalition, a phenomenon about which there are doubts as to the effects it will have on the electorate; the PS is presenting itself without innovations; CHEGA is no longer “taboo” and today people are openly commenting on what they think and also, if appropriate, assuming without fear who they will vote for; there will likely be a more active debate and a more intense campaign in the streets, which could reduce abstention and influence the results; in informal conversations, there is little discontent among farmers (a sector that has a considerable weight in the electorate), but within the civil service, there is displeasure, the reasons for which are not very clear; tourism will be very much in the debate, especially the options regarding air operations.
But perhaps what will carry the most weight is stability. Generally speaking, people don’t understand the need for this election, so they will weigh up very carefully which side is best placed to lead to stable governance.

Rafael Cota is a well-known, respected journalist in Terceira island, and this piece was for the newspaper Diário Insular, José Lourenço-director.
Eleições - 2024
O
que pode mudar nas eleições de 4 de Fevereiro
Raramente um
acto eleitoral suscita tanta atenção. Muito mais do que se esperava. Desde as circunstância
que fizeram cair o governo, a forma como foram marcadas as eleições e os temas
até agora discutidos nos corredores que chegam ao debate público alargado.
Circunstâncias
que, na opinião de muitos, farão com que o quadro político seja diferente.
A maioria das pessoas pretende que saia um governo mais estável e que não
esteja a mercê de arbítrios quase pessoais.
O que
mostram os resultados das últimas eleições
Olhando o
gráfico dos resultados de 2020 pode ver-se que o PS ganhou as eleições, mas levado
pelo que passou no todo nacional, o PSD encontrou parceiros para garantir a
formação de um governo. Com uma diferença mínima.. Na altura comentava-se que
se tratava de uma solução pouco sólida e, sobretudo, sem qualquer sentido
ideológico.
Essa solução
acabou por durar mais do que muitos previram e o governo de Bolieiro conseguiu
sobreviver e até granjear boa imagem em muitos sectores, em particular pela sua
postura na relação com as pessoas.
Dúvidas na
queda do governo
Sem uma
explicação muito clara, os partido deixaram de apoiar o governo chumbando o
plano para 2024 com a mensagem de que não aprovariam outros documentos que se
apresentassem. Uma posição pouco clara uma vez que não tem a ver com o conteúdo
das propostas (que era o que estava efectivamente em causa). Com base nessa
informação, o Presidente da República,
ouvindo o Conselho de Estado, decide
dissolver o parlamento e convocar eleições, deixando muitas interrogações.
Naturalmente
que esta decisão vai fazer parte do debate e porventura terá influência
na opinião do eleitorado. O mesmo se pode dizer sobre quem teve
responsabilidade de provocar estas eleições. Já muitos disseram e Álvaro Dâmaso
recordou-o em texto publicado no Diário Insular: "Os partidos que fazem
cair um governo perdem as eleições seguintes, assim reza a experiência, pelo
menos a nossa".
O que há
de novo
Ao contrário
do que acontece a nível nacional, onde têm surgido várias sondagens, nos Açores
não existem estudos de opinião, pelo menos conhecidos.
Naturalmente
que as sondagens nacionais não têm qualquer validade no quadro regional.
Inclusive em várias ocasiões os resultados nos Açores foram diferentes das
eleições no conjunto do país, mesmo em proximidade de datas.
O que surge
de novo nos Açores e que pode influenciar os resultados: O PSD; o CDS/PP e o
PPM apresentam-se, agora, em coligação, um fenómeno sobre o qual há dúvidas
relativamente aos efeitos que terá no eleitorado; o PS apresenta-se sem
inovações; o CHEGA deixou de ser "tabu" e hoje as pessoas comentam abertamente
o que pensam e também, se for o caso, assumem, sem receio, que vão votar; é
muito provável que haja um debate mais activo e uma campanha mais intensa nas
ruas, que poderão diminuir a abstenção e influenciar os resultados; nas
conversas informais não se nota grande descontentamento na lavoura (sector que
tem um grande peso no eleitorado), em contrapartida dentro da função publica,
há um desagrado, cujas razões não são muito claras; nos temas em debate
vai estar muito presente o turismo, sobretudo as opções relativamente as operações aéreas.
Mas,
porventura, o que vai ter maior peso é a estabilidade. De um modo geral, as
pessoas não compreendem a necessidade desta eleição e, portanto, vão pesar
muito bem qual dos lados se apresenta com melhores condições de conduzir a uma
governação estável.
Eleições Legislativas Assembleia da República
Publicado no Diário Insular e no Diário dos Açores - 10 Janeiro 2022
Aproximam-se as eleições para a
Assembleia da República, marcadas para 30 de Janeiro, envoltas em muitas
dúvidas -- mais do que o habitual --, na expectativa do resultado que vier a
sair, mas sobretudo na sequência desse resultado que solução conseguirão os
partidos, a nível nacional, no caso de não se concretizar uma maioria absoluta,
encontrar. Fica, também, a duvida na capacidade dos partidos emergentes
conciliarem as suas decisões, com as posições que tomaram no debate do plano na
Assembleia da República.
Há ainda a interrogação sobre o valor
da abstenção, tendo em conta que muitos nunca aceitaram a necessidade desta
eleição, bem como pelo facto de ocorrer em cima da pandemia que levará a que
algumas pessoas não se sintam motivados, ou por receio ou por discordância da
sua realização. Estarão todos, portanto, à espera das surpresas que reservam os
resultados do dia 30.
De todo o modo, uma vez que a sua
realização é, agora, inevitável e a campanha oficial já se iniciou, tem sentido
revisitar os resultados mais recentes para se ficar com uma ideia das posições
que cada partido e força política parte para esta eleição.
Nos Açores, o PS venceu as duas
últimas eleições, em 2019 e 2015, mas em 2011, a vitória tinha sido do PSD. De
2019 para cá realizaram-se as eleições regionais onde o PS teve mais votos, mas
o PSD conseguiu encontrar uma solução parlamentar e formar governo, como
aconteceu a nível nacional. Nas eleições autárquicas o PS ganhou 9 câmaras e o
PSD 8 (antes tinha 5), concorrendo de forma isolada ou em coligação com o CDS e
o PPM. O CDS-PP manteve a Câmara de Velas e um grupo de independentes voltou
também a vencer na Calheta.
Quer isto dizer que o PSD tem vindo a
conquistar espaço, todavia, ainda não terá solidificado uma base social de
apoio como teve em tempos. O PS também já não tem hoje uma posição tão sólida.
Estas observações não se enquadram,
porém, de uma forma direta nestas eleições, dado que tradicionalmente em atos
eleitorais nacionais são os líderes que mais se evidenciam no terreno da campanha.
Todavia, não deixa de se poder fazer
uma leitura sobre a tendência e a solidez de algumas forças, sejam as
tradicionais ou as que têm surgido no cenário político regional.
O receio da abstenção
O que é igual para todos é a
abstenção, que neste caso, assume uma preocupação acrescida para as forças
políticas, pela leitura que habitualmente se faz do interesse pela atividade
política, ou pela eleição em causa.
No caso dos Açores, nos últimos anos,
verifica-se que os valores mais elevados da abstenção registam-se nas eleições
europeias, depois as nacionais, a seguir as regionais, enquanto nas autárquicas
se verifica, normalmente, uma maior afluência, como se pode ver no gráfico.
Durante muito tempo, as forças
políticas e comentadores, relevaram o valor mais elevado da abstenção na
Região, uma situação que foi deixando de ter sentido porque está praticamente
demonstrado que uma parte dessa abstenção é fictícia e tem a ver com os
imigrantes que têm cartão de cidadão português e estão, por vezes, tão longe dos
consulados que não é fácil andar distâncias enormes para ir votar. Numa das
últimas eleições um jornal nacional deu exemplo de uma pessoa teria de fazer
uma viagem de avião de duas horas para chegar ao consulado mais próximo para
votar.
Esse fenómeno também acontece no
continente, mas nos Açores onde a imigração é maior, tem maior impacto. Fica
também por saber, que influência terá o Covid na afluência às urnas.
A solidez dos novos partidos
Cada vez surgem mais partidos na
disputa dos lugares, ou pelo menos na procura de um tempo de antena onde possam
passar a sua mensagem. No caso dos Açores apresentam-se 15 partidos e forças
políticas, ente eles, alguns totalmente novos ou que concorrem pela primeira
vez no arquipélago. É o caso do VOLT Portugal, um partido espalhado pela
Europa, o "Reagir Incluir Reciclar, com a sigla R.I.R”, o “Ergue-te” e a
“Aliança Democrática Nacional”. Para além do CHEGA, do Livre e do Iniciativa
Liberal e do PAN que já concorreram em eleições anteriores.
A grande interrogação destas eleições
Todo o ato eleitoral é feito com um
conjunto de dúvidas sobre os resultados e parâmetros que não se controlam e
que, por vezes, nem as sondagens detectam. Os líderes costumam, inclusive,
dizer que a verdadeira sondagem é no dia das eleições.
No caso das eleições do próximo dia
30, acrescem outras dúvidas e é possível que surjam surpresas que venham a
ditar quadros bem diferentes no hemiciclo nacional. Ou seja, se haverá uma
tendência de esquerda, como tem acontecido ou se agora os resultados apontarão
para um novo figurino na política do país.. No quadro que se publica é possível
recordar o número de deputados de cada partido nas ultimas três eleições e que
levaram a um desenho parlamentar e governativo para o país não imaginável, da
primeira vez que ocorreu.



















